A “revolução dos alimentos frescos”: 6 tendências do varejo global que estão chegando ao Brasil

A busca por qualidade de vida e alimentos mais saudáveis e frescos no ponto de venda têm revolucionado o varejo em todo mundo. O sucesso da comida orgânica, novas categorias de produtos saudáveis, alimentos produzidos localmente, espaços especializados no PDV e o fim do desperdício estão entre as principais mudanças do retail marketing.

Para Philippe de Mareilhac, CEO global da Market Value, agência focada em Design e Arquitetura de Varejo da multinacional francesa Team Creátif, o movimento de busca por “comida de verdade” tem se refletido não só no ponto de venda, mas também nas embalagens. O executivo francês esteve em São Paulo em setembro e falou sobre 6 tendências que já estão se consolidando no varejo europeu e já são vistas e aplicadas com sucesso no Brasil.
 
1- Orgânico é básico: a segmentação tem criado novas categorias de comida saudável. Os alimentos orgânicos já são considerados básicos em diversos pontos de venda. A francesa Casino (controladora do Grupo Pão de Açúcar), por exemplo, tem bandeiras como a Naturalia e a Naturalia Vegan para atrair clientes mais exigentes com a origem de seus produtos. “A saúde é a chave central, com as empresas desenvolvendo novos categorias abaixo dela”, explica Philippe de Mareilhac
 
2- Produção local: redes de varejo estão oferecendo alimentos produzidos a curtas distâncias e destacando isto na sua comunicação. É uma forma de evitar gastos com transporte, diminuir a emissão de poluentes e incentivar a economia da região. “Muitos mercados colocam em destaque quando seus produtos são cultivados há não mais que 20 quilômetros das lojas onde são vendidos. As pessoas querem saber não só se tudo é saudável, mas a procedência, e de preferência o mais fresco possível, dando valor ao produtor local”, comenta
 
3- “Homemade”: o conceito de “feito em casa” tem se difundido nas redes varejistas. Os clientes gostam de ver produtos sendo fabricados, como se estivessem na cozinha de casa. Na loja-conceito do Carrefour Pamplona, em São Paulo, a prática já foi adotada na produção de pães, sushis, entre outros alimentos.
4- Cantos especializados – Criar espaços especializados dentro do ponto de venda é uma forma de demonstrar qualidade e know how. Espaços como “sushi corner”, “italian gourmet” e “chocolate belga” estão presentes em diversos supermercados da Europa. “Os varejistas têm montado pequenos ‘corners’ de produtos orgânicos ou frescos. Tudo vai ficando mais específico” conta. Em São Paulo, a loja Eataly, de produtos de origem italiana, é um exemplo desta prática.
 
5- Food Entertainment – A comida virou entretenimento. Não só nos programas de TV e nas casas das pessoas, mas no varejo também. “As lojas estão montando experiências que vão além de simplesmente oferecer comida. Fica mais interessante e excitante ir ás compras”, conta Philippe de Mareilhac.
 
6- Sem desperdício – Fazer compras como antigamente, de produtos a granel, é uma das tendências do varejo global, de acordo com o especialista. Os consumidores querem menos embalagens, menos rótulos, menos desperdício. “Na Europa, a venda de produtos a granel voltou a ser extremamente popular, mesmo para produtos que não eram vendidos assim tradicionalmente. Em muitos lugares, você leva sua própria garrafa de uísque e paga para enchê-la, em vez de comprar uma nova. Com o azeite, a mesma coisa”, revela o CEO da Market Value.
 
Segundo o especialista, a tendência veio para ficar porque os consumidores querem esta mudança. Eles precisam acreditar e ter uma causa. “A nova geração realmente se importa com a questão da sustentabilidade no ponto de venda. É uma revolução e uma realidade global”, finaliza.

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