Tudo o que você achou que soubesse sobre whisky – e continuou achando por medo de perguntar

Água, gelo, copo certo. Se a ideia é tomar um single-malt para relaxar, se apegar demais a regras pode acabar com toda a diversão. Conversamos com Gianpaolo Morselli, Brand Embassador da The Macallan, uma das mais sofisticadas destilarias do mundo, para saber o que melhora a experiência de quem degusta um líquido tão precioso, sem cair na chatice do pode ou não pode.

A verdade, segundo Gianpaolo, é que existem alguns mitos que são os verdadeiros responsáveis por todo esse zum zum zum em torno da bebida.  

Afogamento

Já há algum tempo que se sabe que a água, ao contrário do que se acredita, não é inimiga de um bom single-malt. Pingar algumas gotas no copo pode abrir o aroma e sabor, mas a conta é 30% de água do volume total da dose. “Excesso é ruim, não a presença. Água no whisky é igual sal na comida, o objetivo é realçar e não cobrir o sabor”, explica. Mas atenção. É preciso saber escolher a água. Quanto mais minerais (ferro, cálcio, manganês, etc), mais interferência a água terá no sabor da bebida. No Brasil, a água Prata é uma boa opção para acompanhar sua dose.

Longo ou curto?

Nenhum dos dois. O melhor copo para tomar um whisky super premium, deve ter uma superfície em grande contato com o ar. Enquanto o copo longo é para drinks ou whiskies standard, que recebem muito gelo, um copo curto muito fechado também compromete a experiência. “Quanto mais aromática é a bebida, mais interessante é que você a coloque em um copo que tenha uma superfície em contato grande com o ar”, comenta o especialista. Uma taça de vinho tinto, que não apenas abra, mas retenha o aroma, é a melhor aposta. A taça Bordeaux, por exemplo, é muito melhor que o copo baixo, que não tem bojo. 

 

Favor não chacoalhar

O whisky tem no mínimo 40% de álcool. O vinho tem no máximo 16%. Quando você chacoalha um líquido que tem tanto álcool como um single-malt, vem à tona muito mais o aroma do álcool do que do whisky. Portanto, diferente do vinho, para liberar o aroma da bebida, o correto é girar o copo 45 graus, para molhar toda a superfície interna da taça e assim fazer com que os aromas evaporem uniformemente.

 

Idade, teor alcoólico e seus mitos

Associar o tempo de envelhecimento sinalizado na garrafa à quantidade de álcool é um mito. O componente serve para fixar o aroma e sabor, tal qual acontece com perfumes. Ou seja, quanto mais “corpo” a bebida tem, mais álcool é preciso para que o single-malt não volatilize perdendo os sabores. É essa a mesma razão de afirmar que, ao contrário do que se pensa, é o maior teor alcoólico que torna a bebida mais agressiva. A verdade é que um whisky 40% (12 anos), por exemplo, é mais agressivo que um 50 ou 55%. Também não é o tempo de envelhecimento que garante um bom whisky. É a madeira na qual ele envelhece que confere mais aroma, estrutura e qualidade, pois quanto mais velha a árvore, mais resinas e óleos essenciais do carvalho ela contém, conferindo mais complexidade à bebida. A árvore de carvalho da madeira do barril do The Macallan, por exemplo, tem que ter no mínimo 100 anos  

Gianpaolo reforça que um toque pessoal é sempre bem vindo. O especialista, por exemplo, tem um ritual pessoal para suas doses de The Macallan: abrir, servir, e deixar a dose descansar cerca de 40 minutos. “O líquido respira, fica mais doce, menos volátil, ou seja, estabiliza”, comenta.

 

 

Leave your comment